27 Agosto 2008
20 Agosto 2008
Instantânea e volátil
Hoje fiquei pensando. Naquilo que nos ocorre de repente, sem ao menos percebermos. Tudo tão rápido… a vida é assim. Hoje na editora, ao conversar com uma amiga, nos demos conta de que a volatilidade dos acontecimentos e sentimentos que nos cercam nesse novo século é tanta que chega a nos maltratar. Quanta angústia em notar, ou achar que se nota, a passagem do tempo instantâneo. A felicidade é tênue e, como disse Eco, estou a preferir a inquietação. Algo não fácil, não suave e não claro.
Quieta e sozinha, na madrugada silenciosa de Ribeirão Preto, fico a pensar nas pessoas que me rodeiam diariamente. Algumas medíocres, outras lúcidas. A maioria delas alienadas em seus mundos. Disse eu a amiga: não podemos tirar-lhes o chão. Não somos donas da verdade e o processo de arremessar água gelada no ferro incandescente maltrata tanto quando perceber que nossa inquietude tende, com o passar dos anos, tornar-se ainda mais nossa e menos social.
Será que as pessoas nunca se cobraram? Será que a felicidade existe, ou apenas queremos acreditar que ela é algo possível de ser conquistada? Será que ela é algo que nos cabe? Não medíocre, não risonha, não facetada e não turva. Será que está mesmo ao alcance dos dedos, como pregam os livros? Felicidade volátil. Tempo volátil. Vida instantânea.
Quieta e sozinha, na madrugada silenciosa de Ribeirão Preto, fico a pensar nas pessoas que me rodeiam diariamente. Algumas medíocres, outras lúcidas. A maioria delas alienadas em seus mundos. Disse eu a amiga: não podemos tirar-lhes o chão. Não somos donas da verdade e o processo de arremessar água gelada no ferro incandescente maltrata tanto quando perceber que nossa inquietude tende, com o passar dos anos, tornar-se ainda mais nossa e menos social.
Será que as pessoas nunca se cobraram? Será que a felicidade existe, ou apenas queremos acreditar que ela é algo possível de ser conquistada? Será que ela é algo que nos cabe? Não medíocre, não risonha, não facetada e não turva. Será que está mesmo ao alcance dos dedos, como pregam os livros? Felicidade volátil. Tempo volátil. Vida instantânea.
18 Agosto 2008
obrigada
Que almoço gostoso. Estávamos, eu e o gato, precisando de um tempo assim, ao lado de pessoas agradáveis, não velhas, mas novas amigas. Como é bom estar em uma cidade que, a cada dia, deixa de ser tão nova e passa a ser ainda mais conhecida e admirada. Pessoas maravilhosas existem em todos os lugares do mundo e aqui, em Ribeirão Preto, não poderia ser diferente. Descobrir, dia após dia, que existem pessoas boas de coração, é algo que acalanta e alimenta a alma. A tarde de domingo foi encantadora… risadas, algumas fotografias, planos e segredos revelados. Termos sido recebidos tão bem na casa dela, dele e de uma maravilhosa criança, saltitante e feliz (que será nossa linda dama de honra durante a cerimônia do casamento), nos fez bem ao corpo e a mente. As bebidas… amoleceram-nos o corpo, a coordenação motora e a mente: as risadas e os olhares ficaram ainda mais leves e lascivos. Obrigada pelas horas, pela companhia e pela amizade. Um enorme beijo a vocês três.
14 Agosto 2008
saudades de você
Comentei que estava com preguiça e ouvi em resposta que ao chegar o fim de semana, sempre ficamos moles, lentas, com vontade de não despertar. Nesse instante, meu pensamento te buscou. Minha boca me entregou e balbuciei: Como estou com saudade dele, há quinze dias que não o vejo. Mais distante ainda foi minha libido. Com saudade do seu corpo, toque, olhos e cheiro. Senti sua falta em minha cama, em meu colo. Falta da sua voz e calor, dos seus sonhos e da sua força, que tanto observo e admiro. Venha logo e não me deixe acolá. Case-se comigo, logo! Fique bem e pense em mim. Estou morrendo de saudades de você…
18 Fevereiro 2008
!distante!
Queridos e queridas... esse início de ano foi muito bacana, mas, ocorreram coisas que deixaram-me um tanto distante do blog e estou aqui para perdir-lhes desculpas!
Além da tela lcd do meu note que foi quebrada numa noite sonolenta, muito sem querer, também proibiram a utilização de internet na editora!
Esses dois acontecimentos restringiram-me completamente o uso da rede mundial e afastaram-me um tanto doloroso do blog. Mas, em breve estarei arranjando maneiras outras de postar e estarei de volta.
Já tenho vários textos escritos e estou cheia de vontade de ler cada um de vocês.
Mil beijos a todas e todos...
Além da tela lcd do meu note que foi quebrada numa noite sonolenta, muito sem querer, também proibiram a utilização de internet na editora!
Esses dois acontecimentos restringiram-me completamente o uso da rede mundial e afastaram-me um tanto doloroso do blog. Mas, em breve estarei arranjando maneiras outras de postar e estarei de volta.
Já tenho vários textos escritos e estou cheia de vontade de ler cada um de vocês.
Mil beijos a todas e todos...
26 Janeiro 2008
18 Janeiro 2008
... escolhas acalmadas ...
Meses atrás, em meio a uma conversa profunda, embora um tanto distante, olhava Clara nos olhos e dizia a ela que nossa vida é feita de escolhas, simplesmente escolhas.
Algumas claras, objetivadas, praticamente masculinas, chegam-nos de supetão, quando não, somos escolhidas pelas escolhas. Outras, fragilizadas pelas incertezas que nos acompanham no cotidiano, tímidas, ficam escondidas entre o “não sei” e o “o que será que eu devo fazer?”.
O ano de dois mil e oito começou mostrando a todas nós que as escolhas postergadas, amadurecidas e fortificadas farão parte de um momento – não novo afinal, pouco compactuo com a idéia de que um ano novo é sinônimo de um novo e renascido momento – importante para nossas vidas profissionais.
O que ficou para trás também fora importante. Lembro-me perfeitamente do dia em que você foi pedalando em direção à banca de jornal dos meus pais para contar-me que iria começar a trabalhar em São Paulo, feliz da vida por estar conseguindo sair da velha cidade para ir trabalhar com algo para o qual você havia estudado.
[Como diz meu irmão mais velho, se juntássemos todas as pessoas talentosas que saíram da velha cidade para viver e colher frutos em outras paragens, poderíamos – a exemplo das minorias religiosas britânicas do século XVI – fundarmos novamente a velha cidade, desta vez, com um número menor de pessoas mal intencionadas e um boa pitada a menos conservadorismo].
Querida Clara – e em certa medida: queridos leitores deste espaço –, que dois mil e oito seja um ano de escolhas sábias, acalmadas por banhos quentes e demorados – preferencialmente envoltos pela escuridão –, regadas por vinhos, cafés, chás, destilados e afins, matutadas aos poucos. Escolhas pensadas e repensadas.
Seja feliz em seu novo emprego e continue fazendo boas escolhas em dois mil e oito. Parabéns…
Algumas claras, objetivadas, praticamente masculinas, chegam-nos de supetão, quando não, somos escolhidas pelas escolhas. Outras, fragilizadas pelas incertezas que nos acompanham no cotidiano, tímidas, ficam escondidas entre o “não sei” e o “o que será que eu devo fazer?”.
O ano de dois mil e oito começou mostrando a todas nós que as escolhas postergadas, amadurecidas e fortificadas farão parte de um momento – não novo afinal, pouco compactuo com a idéia de que um ano novo é sinônimo de um novo e renascido momento – importante para nossas vidas profissionais.
O que ficou para trás também fora importante. Lembro-me perfeitamente do dia em que você foi pedalando em direção à banca de jornal dos meus pais para contar-me que iria começar a trabalhar em São Paulo, feliz da vida por estar conseguindo sair da velha cidade para ir trabalhar com algo para o qual você havia estudado.
[Como diz meu irmão mais velho, se juntássemos todas as pessoas talentosas que saíram da velha cidade para viver e colher frutos em outras paragens, poderíamos – a exemplo das minorias religiosas britânicas do século XVI – fundarmos novamente a velha cidade, desta vez, com um número menor de pessoas mal intencionadas e um boa pitada a menos conservadorismo].
Querida Clara – e em certa medida: queridos leitores deste espaço –, que dois mil e oito seja um ano de escolhas sábias, acalmadas por banhos quentes e demorados – preferencialmente envoltos pela escuridão –, regadas por vinhos, cafés, chás, destilados e afins, matutadas aos poucos. Escolhas pensadas e repensadas.
Seja feliz em seu novo emprego e continue fazendo boas escolhas em dois mil e oito. Parabéns…
23 Dezembro 2007
Beijos a todos
Não poderia deixar de vir dizer a todos vocês que desejo um Natal cheio de luz, de paz, de amor, de carinho, de olhos brilhantes e verdades ditas diretamente dos corações. Fiquem bem e tenham um feliz natal.
Gostaria muito de deixar um enorme abraço, e um beijo de criança, borrocado e forte, apertado na face de pessoas muito especiais, que aprendi a admirar.
.
Utzi, Velvet, Carla, Maria João, Constança, Alex, Simone, Sinokas, _E se fosse (eu sempre leria), Metano, Aleisa, Paulo, Catarina, Gi, Vieira, Sam, Karina, Rui Caetano, Putty, David, Ju, , ,
.
Fiquem em paz.
17 Dezembro 2007
Machadiano
Estava a ler um autor fantástico. Há tempos vinham dando de ombros para sua obra. Muito comentada e famosa, a escrita de Machado de Assis me surpreendeu. O vocabulário, um tanto pesado, dado o período em que seus livros foram escritos [século XIX], é fascinante, seu português, rico em usos, é cativante. Suas descrições, às vezes longas e minuciosas são, como o vocabulário rico, encantadoras.
Do livro lido, Quincas Borba, muitos trechos fabulosos. Em certo momento do romance, no clímax, diriam os literatos, fechei de supetão o livro, boquiaberta, espantada com o nó que o escritor acabará de dar-me. Meio abobada com a maravilha da língua e o enredo da obra. Virei de lado e decidida, resolvi colocar-me a disposição do sono…
Dos inúmeros que poderia colocar aqui, resolvi copiar e colar um trecho, bobo, alguns diriam, mas que gostei muito.
“Carlos Maria amava a conversação das mulheres, tanto quanto, em geral, aborrecia a dos homens. Achava os homens declamadores, grosseiros, cansativos, pesados, frívolos, chulos, triviais. As mulheres, ao contrário, não eram grosseiras, nem declamadoras, nem pesadas. A vaidade nelas ficava bem, a alguns defeitos não lhes iam mal; tinham, ao demais, a graça e a meiguice do sexo. Das mais insignificantes, pensava ele, há sempre alguma coisa que extrair. Quando as achava insípidas ou estúpidas, tinha para si que eram homens mal-acabados.”
Amigas leitoras e amigos leitores desse canto, compreendam, por favor, a intenção da citação, recortada e por vezes, descontextualizada de seu verdadeiro local de criação. O português machadiano, de fato merece o que dizem-lhe.
Do livro lido, Quincas Borba, muitos trechos fabulosos. Em certo momento do romance, no clímax, diriam os literatos, fechei de supetão o livro, boquiaberta, espantada com o nó que o escritor acabará de dar-me. Meio abobada com a maravilha da língua e o enredo da obra. Virei de lado e decidida, resolvi colocar-me a disposição do sono…
Dos inúmeros que poderia colocar aqui, resolvi copiar e colar um trecho, bobo, alguns diriam, mas que gostei muito.
“Carlos Maria amava a conversação das mulheres, tanto quanto, em geral, aborrecia a dos homens. Achava os homens declamadores, grosseiros, cansativos, pesados, frívolos, chulos, triviais. As mulheres, ao contrário, não eram grosseiras, nem declamadoras, nem pesadas. A vaidade nelas ficava bem, a alguns defeitos não lhes iam mal; tinham, ao demais, a graça e a meiguice do sexo. Das mais insignificantes, pensava ele, há sempre alguma coisa que extrair. Quando as achava insípidas ou estúpidas, tinha para si que eram homens mal-acabados.”
Amigas leitoras e amigos leitores desse canto, compreendam, por favor, a intenção da citação, recortada e por vezes, descontextualizada de seu verdadeiro local de criação. O português machadiano, de fato merece o que dizem-lhe.
13 Dezembro 2007
Seu olhar
Ela tem vinte e seis anos. Quando olha-me, transmite questionamentos e transgressão, provocações acumuladas em seus lábios macios, fortes. Não surge-me a todo momento, mas como boa amiga, está presente em momentos importantes, as vezes confusos.
Questionadora dos meus valores, taca-me a face minhas certezas, aquelas que carrego comigo, no gozo e na oração.
Questionadora dos meus valores, taca-me a face minhas certezas, aquelas que carrego comigo, no gozo e na oração.
Cobra-me seus beijos, que são negados por mim, seus olhares suplicados, suas carícias e seu tesão amarrado, amarrotado. Busca desconstruir aquilo que em mim está cravado na carne, a fé, hoje já um pouco longe no horizonte. Seus deuses de pele negra fascinam e ao mesmo tempo confundem.
Sinto muitas saudades dela, na nova cidade, nua, na noite. De quando em quando, ao fechar os olhos e principalmente ao tomar banho com todas as luzes do apartamento apagadas, sinto-a presente, bem perto, a tocar-me a pele.
O vapor quente do chuveiro a traz de volta, meus traços, de repente, lembram-me ela, o toque em mim faz-me voar até ela, ou o contrário, sentimento nem sempre claro. Morena, baixa, cabelos compridos, seios fatos, olhos fortes, claros, encantadores, mãos deseducadas, língua afiada, feminina e unicamente quente.
Amos seus vestidos, que nunca conseguirei usar, amo seus decotes, que jamais haveria possibilidade de imitar, amo sua força, sua presença. Seus olhar.
Sinto muitas saudades dela, na nova cidade, nua, na noite. De quando em quando, ao fechar os olhos e principalmente ao tomar banho com todas as luzes do apartamento apagadas, sinto-a presente, bem perto, a tocar-me a pele.
O vapor quente do chuveiro a traz de volta, meus traços, de repente, lembram-me ela, o toque em mim faz-me voar até ela, ou o contrário, sentimento nem sempre claro. Morena, baixa, cabelos compridos, seios fatos, olhos fortes, claros, encantadores, mãos deseducadas, língua afiada, feminina e unicamente quente.
Amos seus vestidos, que nunca conseguirei usar, amo seus decotes, que jamais haveria possibilidade de imitar, amo sua força, sua presença. Seus olhar.
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